Um sinal de que nem tudo está perdido: Cooperação entre Alemanha e Portugal
Neste artigo, Francisco Quintela aborda o fenómeno de cooperação entre Portugal e a Alemanha no âmbito das dificuldades sentidas na pandemia da Covid-19, aprofundando também a função da União Europeia neste tipo de situações e o papel retributivo que Portugal deve passar a ter de forma mais ativa e consistente.
Com a enormidade de conflitos e questões de grande relevo social e político ao nível da política externa a acontecer simultaneamente, a ocorrência de fenómenos de cooperação entre Estados é gradualmente menor. Assim sendo, decidi trazer um exemplo que nos é (enquanto cidadãos portugueses) muito próximo, relativo ao apoio por parte da Alemanha com vários recursos humanos - médicos intensivistas -, e com suporte logístico, tecnológico e médico - ventiladores e outros materiais necessários -, no âmbito da pandemia da Covid-19. Este fenómeno ocorreu em fevereiro do passado ano de 2021.
É certo que não é um tema da ordem do dia, porém, também é importante discutir algo positivo nos dias de hoje. Afinal, nem tudo está perdido! Com este artigo, o leitor terá uma sensação de que nem tudo é mau. Nem tudo está a desabar neste momento. A Inflação está a atingir níveis históricos, há uma guerra na Europa e ainda não nos vimos livres da Covid-19, ainda assim, há casos que nos relembram o que somos antes de tudo: humanos que não podem nem conseguiriam viver isoladamente. Este é um artigo com o seu quê de dose de esperança.
Assim, trago aquilo que penso ter sido um ato de muito boa fé relativo à ajuda fornecida por parte de um país em específico, a Alemanha, que em nada ganhou com isso, mas que em tanto nos ajudou. Foi em meados de janeiro de 2021 que se soube que, num tempo em que a pandemia de Covid-19 não dava tréguas a Portugal, que iríamos ser alvo de suporte por parte de diversos países da União Europeia.
Um deles, muito concretamente foi a Alemanha, que se precipitou a enviar profissionais de saúde, camas, bombas de infusão e ventiladores para auxiliar aquilo que foi uma situação crítica vivida por todos nós. O que é facto é que o sangue frio e certeiro alemão fez a diferença: por cá permaneceram durante três semanas, e foram 26 profissionais de saúde que vieram tratar os doentes portugueses. Quando havia fa
Num cenário internacional em que "cooperação" não é propriamente a palavra do dia, é sem dúvida importante lembrar estas pequenas ações, estes menores gestos que por vezes fazem a diferença. A Alemanha e os outros países que forneceram ajuda a Portugal, não tinham obrigação de fazê-lo. Fizeram-no por pura boa fé. Mas isso também é saber o que é viver num Projeto, numa União, numa Comunidade Europeia em que integração e harmonia devem preservar-se acima de todos os conflitos, disputas ou competições. Esse é o espírito europeu, europeísta e democrático que se exige nos momentos mais duros de pertença a um Projeto como este.
Também foi para isso que se criou, na altura devida, a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço que mais tarde se veio tornar na hoje conhecida União Europeia. O Projeto Europeu não pode servir somente para aprovação de fundos comunitários, PRR's e planos de coesão. Serve também (e bem!) para questões humanitárias como esta. Esperemos que de agora em diante continue a ser assim, de preferência com mais referências a situações de cooperação. Nascer em localizações ou territórios diferentes deve ser uma lembrança de que os povos se completam com as suas diferenças, em detrimento de se enfraquecerem e, consequentemente, de se anularem.
Da parte de Portugal, só lhe resta (nos resta) fazer o mesmo. Já dizia o ditado que, nesta situação, devemos mesmo pagar na mesma moeda e ser mais ativos na cooperação e entre-ajuda a outros países que necessitem. Não podemos ficar conhecidos como aqueles que muito recebem mas pouco dão. Esse é o pior slogan que nos podem atribuir.

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