Turquia e a "Soap Opera Diplomacy"

Fonte: VectorStock

Anastasiya Shevchenko analisa o desenvolvimento do estado turco, mais especificamente, no campo da política externa após o fim da Guerra Fria, ao longo do texto salientando um dos seus instrumentos, a Diplomacia Pública. O principal argumento constitui a afirmação das séries e dos filmes como um meio de soft power, com exemplificação ao longo do artigo.
A partir do final do século XX, particularmente, desde 1989 em diante devido a determinados acontecimentos históricos, como a queda do muro de Berlim e o Consenso de Washington, o estudo da globalização ganha cada vez mais importância dentro e fora da universidade. Assim, o fenómeno da globalização, sendo um processo interminável no tempo e estrutural, ingressa na conjuntura contemporânea pós-1989 cujo dinamismo acaba por desenvolver o seu próprio vocabulário e os seus termos. Contudo, nas relações internacionais, o termo da globalização é considerado controverso, incluindo as suas oportunidades e os seus riscos.
A evolução tecnológica nos meios de comunicação contribuiu para a expansão da área da soberania dos estados e, também, para o aumento da interação entre as sociedades. Tal facto, apresenta um risco para o estado e, por outro lado, revela-se como um meio de reforço para os benefícios nacionais.
Com o fim da Guerra Fria, a importância estratégica da Turquia aumentou, particularmente, para o Ocidente no campo geoestratégico. Desde os anos 90, que o estado turco tentou afirmar-se a nível regional sendo acompanhado pelo crescimento acelerado da sua economia e a ascensão da esfera diplomática e cultural. Com o mandato do partido AK (Adalet ve Kalkinma Partisi) 2002 verificaram-se impactos notórios da política interna e externa em vários lugares do mundo, principalmente, tal facto deve-se a política de soft power vigente. Este contributo é visível através da participação económica, dos valores políticos, do seu impacto cultural, dos seus laços históricos e da sua ajuda humanitária. As figuras políticas relevantes, ao longo de vários anos, salientaram o “Turkish Model” e os laços históricos com os seus aliados como fatores de influência.
A Turquia realiza as suas políticas no âmbito de soft power segundo as abordagens “top-down” e “bottom-up”, a primeira refere-se às instituições governamentais, como, Instituto Yunus Emre (YEE), Fundação Diyanet, Agência Anadolu, TRT World e as ações desenvolvidas por Turkish Red Crescent. Quanto à abordagem “bottom-up”, a mesma é apresentada pelas organizações não governamentais, por exemplo, Associação IGMG Hasana, Associação Bashir e as atividades realizadas pela Plataforma Arakan, entre outros. Com base no exposto concluímos que vários meios de comunicação, bem como, organizações de tipo cultural são instrumentos utilizados pelo soft power. Daqueles que foram mencionados alguns são controlados de forma direta pelas autoridades turcas, como, o Instituto Yunus Emre ou TRT (Turkish Radio and Television Corporation).
O conceito de “Soft Power”, introduzido por Joseph Nye, pode ser inserido dentro do conceito da Diplomacia Pública e cujo objetivo é influenciar o oposto com suas ideias, valores, normas, leis e cultura. Pois,
If power means the ability to get (or influence directly) the outcomes one wants from others (mainly by coercion or inducements) then soft power is ‘the ability to shape the preferences of others. If ‘the others’ want the same thing because we share the same worldview, outlook and culture, we can enlist their power in achieving ‘our’ goal.
No início do seculo XXI, a TRT lançou o projeto de TRT World com sucesso que permitiu alargar a transmissão até a Europa, Africa e Ásia e, por consequência, aumentar a sua influência em vários cantos do mundo. A TRT World emite programas culturais e noticiários turcos em inglês. Além disso, viram o seu sucesso a TRT Turk e TRT Avaz criadas com objetivo de informar e apoiar as comunidades turcas residentes em outros estados, especialmente, no Azerbaijão e no Uzbequistão. Contudo, o elemento-chave do soft power turco são as séries produzidas pelo mesmo,
Turkey has become the second largest exporter of TV series after the U.S. Turkish TV series have reached an estimated number of 400 million viewers in 75 countries (…) The export success of Turkish TV shows, particularly in neighbouring countries, was interpreted as evidence of the country’s rising cultural attractiveness
Em suma, a geografia do crescimento económico turco, a abertura das políticas socioculturais, bem como, a popularidade dos filmes e das novelas pode ser associada às nações ligadas a história otomana e as semelhanças culturais existentes em outros estados. Estas premissas permitiram uma reconexão com as produções culturais locais entre estados que foram anteriormente ignorados. A reconexão cultural acabou por promover os valores e tradições turcas e, por conseguinte, reforçou o soft power. A imagem criada pelas produções aumentou significativamente a atividade turística.
As many academics have argued (Graziano 2015; Hudson and Ritchie 2006; Yilmaz and Yolal 2008; Connel 2012; Balli et al. 2013; Tooke and Baker 1996), film-induced tourism, a type of mobility that is influenced by the destination being featured on television, video, or the cinema screen, is becoming a ‘growing phenomenon worldwide, fueled by both the growth of the entertainment industry and the increase in international travel’(Hudson and Ritchie 2006: 387; Tuclea and Nistoreanu 2011) (…) Although difficult to prove, many believe that destinations represented positively in these types of media can greatly impact the number of tourists visiting those sites
Quanto as regiões mais influenciadas, “The most popular destinations of the TV exports have been the Middle East, the Balkans, and Turkic language-speaking countries in Asia”. O êxito das séries e filmes de origem turca são de forma recorrente explicados com base de “cultural compatibility”, por exemplo, a existência étnica do povo de origem turca na região, a presença do grupo étnico que optou pelo Islão ou região cuja semelhança cultural é compatível com raízes do Império Otomano. Um dos casos práticos considera-se a série “Gumus” que tornou-se popular no mundo árabe, tal se deve a razão referida anteriormente. Por outro lado, nos Balcãs, “sociologist Ratko Božović attributes the success of Turkish TV shows in the Balkans to the fact that “the mentality depicted in those shows has to do with a traditional understanding of morality that people in Serbia remember at some level”.
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