Suécia e Finlândia na NATO: a carta na manga da Europa





Neste artigo, Miguel Gavino analisa a possível entrada da Suécia e da Finlândia na NATO, apontando as consequências desta adesão no panorama europeu, face os recentes desenvolvimentos bélicos resultantes do conflito russo-ucraniano.

A 24 de fevereiro do presente ano, as tropas russas que haviam sido posicionadas estrategicamente na fronteira com a Ucrânia invadiram o território em questão. Após dois longos meses de guerra, que culminaram na perda de milhares de vidas civis, destruição de infraestruturas cruciais e no surgimento de uma crise migratória, assegurar a proteção e segurança europeia tornou-se prioritário.

Os líderes suecos e finlandeses estão atualmente a ponderar quebrar décadas de não-alinhamento e neutralidade militar, considerando uma adesão à NATO. As causas desta mudança de posição devem-se à ameaça à segurança europeia (e nórdica) que a guerra na Ucrânia está a implicar, tendo os líderes nórdicos afirmado que o conflito alterou toda a conjuntura de segurança europeia. 

Como em qualquer questão, este alargamento da NATO levantará consequências positivas e negativas. A expansão seria uma jogada estratégica da NATO — focada nos seus próprios interesses — mas também aumentaria a segurança e as capacidades de defesa suecas e finlandesas. 

Face à guerra iniciada por Putin, a prioridade europeia será a de albergar a maior quantidade de defesas possíveis. A Suécia e a Finlândia possuem economias robustas, com proporções de dívida saudáveis, e fortes estados sociais. Apesar da postura neutra e o não envolvimento em situações bélicas, face à conjuntura atual, Estocolmo e Helsínquia ponderam seriamente avançar com a adesão. Segundo a primeira-ministra Finlandesa, não será apontada nenhuma data para a divulgação da decisão, mas acontecerá "muito rapidamente, dentro de semanas e não meses."

Aquando o começo da invasão, Putin alegou que uma das razões para o início da guerra seria a pretensão por parte de Kiev de aderir à NATO. Para o Kremlin, isto seria uma ameaça direta e intencional à segurança e soberania russa. Agora, dois meses depois, Putin arrisca-se a que a fronteira russa com países pertencentes à NATO aumente exponencialmente. De facto, a fronteira russa com a Finlândia extende-se por cerca de 1340 km e a sua defesa será, inegavelmente, um desafio para a Rússia. 

Passando a Suécia e a Finlândia a pertencer à aliança militar ocidental, esta ficaria munida de mais condições militares, mas também de um posicionamento geográfico invejoso e preocupante para o Kremlin. 

Face ao impacto económico que a guerra está a ter para os russos e as diversas derrotas estratégicas que têm sofrido, será improvável que sejam orquestrados mais ataques fora do solo ucraniano. Porém, na eventualidade de tal acontecer, é crucial defender a região Báltica. O fortalecimento da posição da NATO no território em causa enfraqueceria a posição geopolítica de Putin e, por conseguinte, a ameaça à segurança europeia. Seria um incremento considerável no controlo do Norte do Atlântico, área cujo domínio é essencial para assegurar que caso o conflito escale, o apoio militar americano é devidamente prestado.

Segundo a secretária geral do comité atlântico da Noruega, Kate Hansen, esta expansão nórdica será uma gamechanger geopolítico e " fortalecerá a defesa da NATO com a adição de países democráticos, abastados e relativamente fortes militarmente, naquela que é uma região vital para a aliança." Adicionando a Suécia e a Finlândia, os 5 países nórdicos passariam a pertencer à NATO, criando uma porção de território extremamente vasta controlada pelo Ocidente e permitindo à Europa ter a upper-hand estratégica nos futuros desenvolvimentos do conflito. 

Somente em termos de poderio militar aéreo, como aponta Kate Hansen, a adesão daria mais "150 F-35's e 72 aviões a jato de combate."

Porém, naturalmente, o alargamento da aliança ocidental aumentaria as tensões com a Rússia. Já em 14 de Abril, Putin afirmou que caso a Suécia e a Finlândia entrassem na NATO, Moscovo não teria opção senão fortalecer a presença militar na região báltica através também do posicionamento de armas nucleares. Alguns líderes, no entanto, como é o caso do ministro da defesa Lituano, afirmam que já existe armamento nuclear na região mencionada. 
Debativelmente, as ameaças russas de uso de armas nucleares foram promessas vazias, visando evitar intervenção e ajuda ocidental à Ucrânia. Mesmo sendo uma remota possibilidade, é uma situação que tem que ser encarada com a maior das seriedades. 

Inegavelmente, o apoio sueco e finlandês — países que acabam por já ser quasi-membros, agindo em cooperação com a aliança — seria um trunfo para a NATO, UE e para todos os civis europeus. Mas há que agir com prudência. É necessário controlar o conflito, impedindo que este se propague para outros territórios, possivelmente eclodindo numa terceira guerra mundial. A postura da NATO deverá continuar a ser defensiva, sendo o objetivo deste alargamento apenas assegurar a soberania e segurança dos países europeus. 

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