A História da Política Externa Chinesa

Ilustração:Financial Times 

Luana Vergas discorre sobre a política externa adotada pela China. Primeiramente será feito um breve enquadramento cultural, seguido de um alinhamento histórico e por fim será abordada a atual política externa chinesa.


A política externa de um país é influenciada por diversos fatores, um dos principais fatores endógenos é o seu contexto interno, ou seja, aspetos políticos, económicos, sociais, culturais e históricos que influenciam a forma como os líderes percecionam uma situação e, por conseguinte, a sua conceção da abordagem mais favorável. A China possui uma rica história que remonta à antiguidade, hoje em dia é o país mais populoso do mundocom um bilhão e quatrocentos milhões de habitantes, e uma das principais potências mundiais. Atualmente na China a cultura e a história ainda têm um importante papel na postura tomada pelos seus líderes na ordem internacional. Para perceber a política externa da China moderna é importante compreender as conceções tradicionais chinesas do ambiente internacional.

Antes do século XIX havia um forte desinteresse em relação a outos países e ao internacional por parte da China, de tal forma que nem sequer havia caracteres chineses para as palavras “internacional”, “raça” e “país”. Contrariamente ao Ocidente, que considera a ordem internacional como um “palco de competição entre Estados iguais”, a China acredita na sua superioridade na ordem internacional, a sua cultura é assente na conceção hierárquica, tanto a nível interno como externo.

A política externa chinesa é fortemente influenciada por aspetos históricos, como a Guerra do Ópio de 1840, onde a derrota chinesa por parte da Grã-Bretanha levou à assinatura do Tratado de Nanquim, que obrigou a China a entregar Hong Kong aos britânicos, o primeiro dos chamados “Tratados Desiguais”, que alteraram o isolacionismo chines. Este período histórico, conhecido pelos chineses como o “Século de Humilhações”levou a um sentimento de injustiça e vitimismo que até aos dias de hoje tem um forte peso na tomada de decisões na política externa chinesa, o passado e a lembrança do mesmo moldam a identidade do povo.

A 1 de outubro de 1949, Mao Zedong, líder do Partido Comunista, estabeleceu a República Popular da China e alterou a política externa chinesa para o combate ao imperialismo. Essa abordagem foi abandonada na década de 70, quando Deng Xiaoping subiu ao poder e passou a promover a modernização do país, reformas políticas e económicas. Algumas das medidas de Deng Xiaoping consistiram na permissão para os camponeses poderem vender parte da sua produção no mercado livre, descoletivização da agricultura, criação das Zonas Económicas Especiais, substituição das subvenções do Estado por empréstimos bancários e permissão para cidades costeiras atraírem investimento estrangeiro.

Hoje em dia, um dos principais objetivos da política externa chinesa é a sua afirmação enquanto grande potência no sistema internacional. Em 2011, devido ao seu intenso desenvolvimento económico, a China tornou-se a segunda maior potência económica mundial, detendo uma grande capacidade económica capaz de influenciar as ações de outros países. A República Popular da China também tem investido cada vez mais nas Forças Armadas, aumentando assim a sua capacidade militar. Este aumento no orçamento militar deixa diversos países alerta e desconfiados em relação à China.

Diversos autores têm diversos pontos de vista em relação à política externa chinesa, no entanto, destacam se três objetivos principais na política externa da República Popular da China: garantir a soberania e integridade territorial, o desenvolvimento económico e, por último, passar a imagem de que a China procura preservar a paz e a sociedade harmoniosa e não constitui uma ameaça para a ordem internacional.

Como já foi referido anteriormente, os acontecimentos históricos têm uma grande influencia na política externa chinesa, o nacionalismo enraizado nesta população e a sua lembrança do “Século de Humilhações”, são dois fatores que levam a uma relutância por parte da China em cooperar com as economias euro-americanas, mesmo sabendo a importância de tal cooperação.

Luana Vergas, nº229318

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