O eterno conflito no Levante?
- O Reino de Israel fez parte de
uma região intitulada de Palestina situada no Medio Oriente - Outrora antiga terra natal dos judeus, sendo que, posteriormente, ficou sob
o domínio de diversos povos, embora alguns judeus continuassem a viver na região.
No século VII a região foi incorporada pelo mundo muçulmano, o que tem
perpetuado o conflito e a disputa entre Judeus e Árabes.
Neste artigo Igor de Jesus propõe um sucinta analise das
origens e motivações do conflito eterno entre Judeus e Árabes no médio Oriente.
Em 1948
é oficializada a criação do estado de Israel - baseada numa resolução
aprovada um ano antes na Organização das Nações Unidas (ONU), esta resolução
pressuponha a divisão do território da Palestina em dois estados, um árabe e um judeu. A Palestina estava sob administração britânica e era composta por uma
maioria árabe, exatamente por esse motivo a resolução da ONU, que foi aceite
por líderes Judeus, foi vista com maus olhos por parte dos governantes
dos países (Árabes) vizinhos. As discussões e contestações diplomáticas ainda
tinham lugar, quando os líderes Judeus decretaram a independência do Estado de
Israel em maio de 1948. A resposta Árabe foi imediata: no dia seguinte à
declaração de independência, Egito, Síria, Líbano e Iraque atacaram o novo estado judeu, a guerra de 1948, ficou conhecida pelos Israelitas como a
Guerra da Libertação. Cerca de 750 mil árabes que viviam na região foram
obrigados a fugir por causa do conflito. Por outro lado, 800 mil judeus
residentes em países como Síria, Iraque, Tunísia, Líbia e Iêmen entraram
imediatamente para o novo o recém criado estado de Israel.
Apesar das diferenças entre os envolvidos na contenda é facto que
Israel impera na região como o Estado mais forte e que, portanto, seja
beneficiado por essa condição. Muitos têm sidos os acordos de Paz assinados,
mas pouco, ou quase nada, tem sido cumprido.
As Relações Internacionais entre os estados do médio oriente são
complexas e parecem não ser alcançáveis, fatores como a religião e os seus
elementos sagrados, a história dos povos que compõe a região e as suas posições
conservadoras contribuem
para esta perpetuação de conflito. Torna-se cada vez mais
urgente a delineação de um projeto estratégico que contemple os diferentes
povos e as diferentes culturas da região, talvez à maneira do do sistema confessional do Líbano.
A
zona do médio Oriente onde se insere Israel é rica em petróleo, o que
resulta em inúmeras disputas, não só entre os estados locais, mas
principalmente entre os Estados estrangeiros, que influenciam essencialmente as
políticas económicas e militares dos Estados do Médio Oriente, ricos em recursos naturais, de forma a garantir uma
fatia dos mesmos.
Por sua vez Israel beneficia de um aliado estratégico com extrema
influência na ONU e que proporciona um apoio económico e militar fundamental
para a subsistência do Estado face ao elevado número de forças hostis naquela
região.
O território atribuído inicialmente a Israel que mais tarde foi
alargado devido a motivações expansionistas, estava povoado principalmente por
Palestinos Árabes, que não demonstravam nem demonstram qualquer vontade de
fazer parte do território de Israel, esta questão iniciou uma serie
de conflitos entre Palestinianos e Israelitas que perdura até aos dias
de hoje.
Para Israel, sair do território da Palestina não será uma opção,
além de consagrar uma maior extensão do seu território, benéfica para qualquer
Estado, aqueles territórios contêm várias zonas sagradas para o Judaísmo,
portanto, diplomaticamente são muito difíceis de devolver. Para garantir a sua
segurança, ao longo do tempo, Israel foi fortalecendo a sua presença na
Cisjordânia, isto cimentou o controlo de Israel sobre esta região melhorando a
sua segurança, por outro lado fomentou as tensões étnicas em toda a região,
agudizando inevitavelmente o conflito com os Palestinianos.
Em certos momentos a paz existiu entre Israel o
Egipto e a Jordânia, mas com a formação de novos grupos extremistas, que
lançam ataques sistemáticos com o objetivo de remover Israel do território da
Cisjordânia, instalou-se uma insurgência aparentemente perpetua.
Hoje Israel não enfrenta uma ameaça tão significativa, mas para
suportar os desafios geopolíticos necessita de perseguir alguns objetivos, como
o fortalecimento da sua relação com os EUA, ter a América como aliada significa
uma grande vantagem económica, bélica, e diplomática. A sua estratégia deve passar também por
normalizar as suas relações com o mundo Árabe, para isso Israel necessita
aproximar-se do povo árabe e dos seus governos, caso contrário essa
normalização parece inconcebível. Procurar resolver o conflito com os
palestinianos é fundamental em prol estabilidade nacional, Israel deve procurar
faze-lo através de algum tipo de acordo que contemple a estabilização e a
desmilitarização dos grupos palestinianos, talvez isto seja possível através de
um governo autónomo palestiniano. Regressar às sua fronteiras de 1967 é
praticamente impossível, fazê-lo exponha Israel a desconcertantes ataques no
coração do seu território, sendo provável a sua divisão em dois polos, pois
algum desses ataques poderiam ter como desfecho a captura a cidade santa -
Jerusalém.

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