China e Ilhas Salomão: a luta geopolítica no Pacífico

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A tensão entre Pequim e Washington voltou a subir. No passado dia 19 de abril, a China anunciou a assinatura de um Acordo de Segurança com as Ilhas Salomão. No presente artigo, Sofia Pinguinha analisa e incentiva a reflexão acerca de qual será a verdadeira ambição da grande potência China. 

A iniciativa provocou críticas de vários países ocidentais, inclusive os Estados Unidos da América,  que apontam as ambições militares do governo chinês no Oceano Pacífico. Em março, chegou aos media uma parte deste, na altura, possível acordo e as reações foram de espanto e preocupação, dado que este contemplava uma possível deslocação militar chinesa neste arquipélago do Pacífico. Em março, chegou aos media uma parte deste, na altura, possível acordo e as reações foram de espanto e preocupação, dado que este contemplava uma possível deslocação militar chinesa neste arquipélago do Pacífico. 

O arquipélago, constituído por seis ilhas principais e centenas de ilhas menores, localiza-se a leste de Papua Nova Guiné, a cerca de 2.000 km da Austrália. Este país tem sido um parceiro histórico das Ilhas Salomão, principalmente desde 2003, quando liderou uma missão de pacificação nas Ilhas conhecida como “Missão de Assistência Regional às Ilhas Salomão (RAMSI)”, de forma a pôr termo às disputas, em parte devidas ao ressentimento da população com a crescente influencia chinesa. 

Manasseh Sogavare, atual primeiro-ministro das Ilhas Salomão, rompeu em 2019 as longas relações com Taiwan e procurou estreitar os laços com Pequim. Desde então, a capital chinesa enviou instrutores da polícia e agentes do Batalhão de Choque com o objetivo de “proteger a segurança do pessoal chinês” e “os seus grandes projetos”. Em caso de revoltas internas, o acordo coloca à disposição do governo salomónico as forças de segurança chinesas. 

Países como Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos da América não esconderam a preocupação com a possível construção de uma base militar chinesa na região do Pacífico Sul, estrutura esta que permitiria ao país projetar o seu domínio militar naval muito além das suas fronteiras. Sogavare conformou que, de facto, estaria a ser preparado um acordo de cooperação, mas negou a possível construção de uma base naval no seu território. Os países mencionados temem que o avanço chines constitua uma ameaça à paz na região do Pacífico. 

Os principais parceiros que prestam assistência no Pacífico (Estados Unidos da América, Austrália e Nova Zelândia) redobraram os esforços diplomáticos e, desde a semana passada, que Sogavare recebe figuras de destaque destes países. Recebeu Andrew Shearer e Paul Symon, funcionários de topo dos serviços secretos da Austrália, Zed Seselja, ministro australiano para o Desenvolvimento Internacional e para o Pacífico, Daniel J. Kritenbrin, vice-secretário do Estado norte-americano para os Assuntos da Asia Oriental e do Pacifico. 

A agitada agenda diplomática justifica-se na tentativa de evitar a ratificação deste acordo, o qual os analistas acreditam ser a primeira e mais robusta resposta do Partido Comunista Chines ao AUKUS- pacto militar entre a Austrália, o Reino Unido e os EUA para a região do Indo-Pacífico. Anunciado em setembro do ano passado, entre outros objetivos, pretende oferecer aos australianos a tecnologia necessária para a construção de submarinos movidos a energia nuclear, a partilha de infraestruturas no Oceano Pacífico e o desenvolvimento de armamento hipersónico. 

A preocupação não é infundada e, embora o primeiro-ministro salomónico tenha garantido estar consciente das possíveis ramificações e rejeitar essa possibilidade, é facto que a mesma situação já ocorreu entre o Presidente Xi e o Presidente Obama no Mar do Sul da China. A verdade é que as promessas de dinheiro feitas pela Austrália podem não ser suficientes para assegurar a lealdade do governo das Ilhas.

Já do lado chinês, quando questionado acerca das suas pretensões, Zhao Lijian (porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China) relembra que o acordo é vontade das duas potências, acusando a Austrália e os seus aliados de incitarem confrontos e divisões na região. “ O acordo é benéfico para a estabilidade social e para a segurança duradoura das Ilhas Salomão e é favorável à promoção da paz, da estabilidade e do desenvolvimento do país e da região do Pacífico Sul”, garantiu Zhao. 

relação entre chineses e australianos tem vindo a complicar-se, sendo que piorou drasticamente no início da pandemia, quando o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, iniciou uma investigação independente acerca da verdadeira origem da Covid-19 em Wuahn. Pequim cortou, desde então, todas as exportações australianas ou sobretaxou-as.

O que realmente importa é que, a confirmar-se o acordo, este pode ser o mais importante e assertivo avanço chinês contra a Austrália. Serão as Ilhas Salomão um “fantoche” chinês para afetar o governo australiano? O que parece certo é que o arquipélago constitui um elemento fundamental para a expansão e domínio daquela que poderá ainda vir a ser a maior potência mundial: a China. 

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