Amigos Inseparáveis: OTAN & Portugal
Diogo Ferreira Leite
discorre sobre a pertença de Portugal à Aliança Atlântica e a importância
da mesma para os objetivos de política externa nacionais
Portugal é um dos 12
Estados-membros fundadores da OTAN, portanto a sua relação com a Aliança Atlântica
é tão antiga como a existência da última. Ao longo dos anos a manutenção
da relação institucional do nosso país com a Aliança tem sido uma das prioridades da política externa portuguesa.
Numa primeira instância
o convite de Portugal para membro fundador da OTAN pode sobressair de certa forma,
tendo em consideração que a Aliança foi composta primeiramente por países que
integraram os Aliados na Segunda Guerra Mundial. Portugal como todos sabemos
foi um país neutral durante o conflito – apesar de numa fase posterior do
conflito ter assumido uma postura de neutralidade cooperante com os
Aliados. O convite a Portugal foi largamente motivado pela posição geoestratégica de Portugal (e do arquipélago
dos Açores em particular), crucial para uma estratégia de defesa no Atlântico
Norte tanto mais que a Espanha havia sido excluída do núcleo de países
convidado – devido à postura isolacionista do então líder Francisco
Franco.
A presença de Portugal
na organização foi consolidada em fevereiro de 1967, data da instalação em Portugal
do Comando da Área Ibero-Atlântica da OTAN (IBERLANT). O Comando foi vendo as
suas competências e áreas de responsabilidade alargadas ao longo das décadas,
atingindo o estatuto de Comando regional e Comando Conjunto Aliado.
A partir de 2012, na
sequência da restruturação dos vários comandos da OTAN, passou a funcionar em
Oeiras o Naval Striking and Support Forces – STRIKFORNATO,
tendo igualmente sido decidido que a Academia CIS (Communication and
Information Systems) seria transferida para o conselho de Oeiras. Funciona
ainda em Portugal o Joint Analysis and Lessons Learned Center em
Monsanto.
Portugal tem participado
em diversas missões no âmbito da OTAN, nomeadamente no Kosovo, na Bósnia-Herzegovina, no Afeganistão, no Paquistão (operação de apoio logístico e
humanitário), no Mediterrâneo (combate ao terrorismo) e no Índico (combate à
pirataria). Forças militares portuguesas
também contribuem regularmente para o policiamento aéreo da Região do Báltico,
na Islândia e Região do Mar Negro e participa em Medidas de Tranquilização e na
Presença Avançada Adaptada na Roménia. )
Portugal
acolheu, na cidade de Lisboa, a Cimeira da NATO de 2010, onde foi delineado e
concertado o atual Conceito Estratégico (Active Engagement, Modern
Defence) que definiu as três traves mestras principais da Aliança para
os próximos anos: a defesa coletiva, a gestão de crises e a segurança
cooperativa.
Na
época a entrada de Portugal na OTAN representou uma alteração estrutural na
política externa portuguesa por dois motivos. Em primeiro representou uma clararutura com a política isolacionista que marcou os anos após a conclusão da Grande Guerra em Portugal e num segundo plano representou a emergência dos EUA
como novo aliado preferencial do país - rompendo com os séculos de primazia
britânica.
Hoje em
dia a presença de Portugal na Aliança Atlântica é entendida como um alicerce
fundamental da nosso consolidação e presença na Ordem Internacional. Poucos
partidos políticos questionam ativamente a manutenção da nossa participação na
OTAN, com a exceção notável do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda. Ainda
assim as poucas vozes de oposição à Aliança em Portugal têm-se demonstrado
pouco consequentes na sua oposição à nossa presença na mesma. A realidade
também é que os assuntos de política externa são notoriamente pouco relevantes
na agenda política da maior parte dos partidos políticos e até na própria
governação (com a exceção da pasta dos assuntos europeus).
De
notar o caso paradigmático dos anos da governação de Durão Barroso onde fora
dado um elevado grau de importância à política externa do país. Neste âmbito
destaca-se claramente o apoio português à intervenção americana no Iraque, que
apesar de não ter envolvido diretamente a OTAN, demonstrou novamente o
compromisso português para com a agenda internacional norte americana.
Neste
âmbito é de ressalvar analisar em profundidade a distinção, que é fundamental,
entre as nossas relações com a OTAN em geral e alguns países aliados em
particular, designadamente os Estados Unidos. É frequente fazerem-se confusões
entre os interesses dos EUA, e os interesses da OTAN.
A
situação económica débil do país desde a viragem do século tem levado a um
constante desorçamento das nossas Forças Armadas. A nossa capacidade de
contribuir ativamente para a Aliança é limitada e Portugal tem tido uma
dificuldade crónica em atingir os 2% de investimento do PIB anual nas Forças Armadas. O contributo português para a Aliança é honestamente mais político e
estratégico do que operacional. A manutenção das bases militares dos aliados da
OTAN no nosso território nacional é fundamental para a salvaguarda da
capacidade logística dos países aliados. Portugal também é um “diamante em
bruto diplomático” relevante, sendo o Estado preponderante do mundo lusófono –
tendo a OTAN um interesse substancial em assegurar uma relação amigável com
estes Estados.
Para a Portugal
a pertença na OTAN foi, é e continuará a ser um instrumento importante da nossa
política externa. Uma salvaguarda à nossa soberania e prevê-se que Portugal
continue a ser um membro leal e ativo na Aliança Atlântica ao longo dos próximos anos.
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