A região fria que se torna quente: O fator Ártico nas relações entre a Rússia e o resto do Mundo

Fonte: Geopolitical Futures


No dia 24 de fevereiro de 2022 a Rússia invadiu a Ucrânia. Afastando este artigo da discussão central em volta do tema, aqui, Adriana Gomes procura analisar como a nova postura da Rússia poderá tirar proveito dos recentes acontecimentos pelos quais o Ártico está a passar.

Primeiro, temos de compreender o conjutura atual e a história do Ártico. Esta é a região mais a norte do globo, para além de zonas que no verão descobrem-se do gelo e da neve, existem as calotes polares, grandes glaciares que em tempos mantinham grande parte do Oceano Ártico impossível de navegar. O Círculo Polar Ártico abrange o Polo Norte e o Oceano Ártico. Esta região não é uma nação ou país soberano, no entanto, também não existe nenhum país com exclusividade da região. É, sem dúvida, uma região rica em recursos como jazidas de petróleo, gás natural e outros. Existem oito nações que circundam territórios do Polo Norte e que em 1996 estabeleceram o Conselho do Ártico, são eles: Rússia, Canada, Estados Unidos da América,Islândia, Suécia, Finlândia e Dinamarca.

O que outrora era uma região sempre gelada, mesmo nos mais quentes meses de verão, torna-se agora uma zona em que a passagem marítima será, pelo menos durante todo o verão, possível. Este aparente simples fator proporcionado pelo desgelo e aquecimento contínuo desta região levanta problemas de uma maior dimensão. Pensa-se que 15% das reservas de petróleo do planeta e 30% das reservas de gás natural não exploradas estejam no Ártico. O degelo permitirá não só novas e cobiçadas rotas de comércio marítimo como também permitirá que estas reservas sejam exploradas. No entanto, quem tem o direito de as explorar? Tal como a Antártida, o Ártico não é um país soberano e nenhuma nação atual tem nele qualquer poder deliberativo. O Conselho do Ártico não passa de um exercício de diplomacia, já posto em causa pela China que ameaçava que o papel de observador neste Conselho não seria suficiente e procedeu à compra de portos e aeroportos de território dentro do Círculo Polar Ártico.

A Rússia foi a nação que mais investiu militarmente no Ártico e perante esta ação países como o Canada e os EUA começaram a aumentar as patrulhas nesta região.

Mas que ligação poderão ter estes acontecimentos com a recente invasão à Ucrânia? Se recuarmos no tempo, antes da Rússia invadir a Ucrânia começou por invadir a Crimeia, e militarizar as zonas em redor da Ucrânia. Entrando para a vertente das suposições, a realidade é que se a Rússia partir para relações diplomáticas baseadas no hardpower as conversações no Ártico também não resultarão.

Tanto a nível militar como económico a Rússia tem muito a ganhar com o aproveitamento do degelo do Ártico. Assim como a peculiar China.

Ecomicamente:

O canal do Suez perderia grande parte da sua importância. Exemplificando, de Roterdão à China, através do Ártico, a rota ficaria 24% mais pequenaNão só será uma situação vantajosa para a Rússia, como também para a China dada a postura complacente mas ainda não aliada da mesma para com a Rússia.

Dentro deste âmbito, a perda de importância do canal Suez não é isolada. Canais e estreitos/passagens na Malásia, Singapura, Filipinas e outros perderiam grande parte dos fluxos, dado que as rotas para as Américas e parte da Europa poderia passar a ser feita pelo Ártico.

Militarmente:

O facto de que agora a toda a costa norte da Rússia fica desprotegida, levantou problemas de insegurança e vários postos de vigia e bases militares foram construídas ou reativadas nos 24 000 km de costa.

Fonte: Foreign Policy




A situação não aparenta que se vá manter nos moldes que até hoje conhecemos. O Ártico está prestes a mudar de forma perpétua para uma realidade que ainda não é a nossa e que a diplomacia parece falhar a antever.
A invasão da Ucrânia não é um sinal positivo para este cenário, muito pelo contrário, é colocar em cima da mesa uma atitude de coação e ameaça que pode levantar mais problemáticas. Considerando que a maior parte dos paises no Círculo Polar Ártico pertence à NATO.

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