A recente atividade nuclear norte-coreana e a resposta do Ocidente


Lara Rocha discorre sobre as ameaças nucleares norte-coreanas e repercussão para o panorama internacional. 

Como potência nuclear que é a Coreia do Norte, a atividade dos testes nucleares do país é alarmante para todo o panorama nuclear. Desde a chegada ao poder do líder norte coreano, já foram realizados quatro testes nucleares e mais de 130 testes de mísseis. Em 2017 concretizaram o sexto e supostamente o último teste nuclear. Em 2019 após a rejeição das exigências norte-coreanas para o alívio das suas sanções ao governo de Donald Trump, a pausa das negociações e o foco atual das grandes potências estar direcionado para a guerra no leste da europa, a Coreia do Norte retoma com os testes nucleares de forma a expandir as suas capacidades militares.

Previamente em 2018, o Presidente da Coreia do Norte Kim Jong-un em reunião com o Partido dos Trabalhadores emitiram uma ameaça de retomar os testes com misseis e explosivos de longo alcance, no entanto foi suspensa para criar um ambiente favorável a negociações com Trump. Uma tentativa de novas negociações inicia-se, com Joe Biden como presidente dos Estados Unidos da América, o mesmo demonstrou-se aberto a negociações, apesar de também relutante a qualquer tipo de mudança ligada às sanções.

A recente atividade no nordeste do país em Punggye-ri, local para os testes nucleares de 2017, e inativo desde 2018. Através da análise de imagens satélite foi possível verificar uma nova construção no local. A situação é verdadeiramente alarmante, com a testagem de um “um suposto míssil hipersónico” com capacidade intercontinental. O recomeço destas testagens vem a pressionar não só a todo o mundo, mas especialmente o governo de Joe Biden.  No mesmo sítio também foi averiguado a reativação de um túnel local onde foram executados testes anteriormente e na atualidade é possível a sua reativação para um ensaio nuclear subterrâneo.

Em março de 2022, a Coreia do Norte lançou um míssil balístico intercontinental, onde se apresentaram filmagens, e analistas acreditam que as mesmas tenham sido alteradas devido a inconsistências nas mesmas. Apesar desta possibilidade não é de se dar descrédito à clara mensagem lançada que Pyongyang, que está agora relutante em encetar um diálogo.”. Neste mês ficou marcado a 12º ronda de lançamentos por parte do país somente este ano. A invasão russa da Ucrânia magnificou a vontade do líder expandir o seu armamento, tendo em conta que a Ucrânia, consoante o Memorando de Budapeste de 1994, abdicou do seu armamento nuclear consequente da União Soviética, sendo mais razão para Kim Jong-un acreditar que a Rússia não ousaria invadir uma potencia nuclear.

Após este lançamento e a confirmação por Kim Jong-un que tem intenções de expandir o seu poder, os EUA impulsionam sanções mais rígidas da ONU para com Coreia do Norte. Seguidamente numa reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas a embaixadora dos EUA evidencia e reforça a necessidade de sanções mais rígidas, e que aguardar mais tempo sem dar resposta “não é uma opção, é uma estratégia falhada” - Linda Thomas-Greenfield. Como repercussão destes atos, sanções contra indivíduos e entidades ligadas ao programa nuclear foram impostas pelos EUA.

O líder norte coreano afirma que vai dar continuidade aos testes com “o objetivo dereforçar as capacidades de defesa nacional, desenvolver mais meios de ataquepoderosos”, tudo para que o país tenha a capacidade de impedir guerras e garantir a sua segurança, "uma força militar esmagadora que não pode ser detida por ninguém".

O ambiente geopolítico, demonstra-se frágil contra a testes de mísseis norte-coreanos. E com o desacordo da Rússia com o Ocidente devido à sua invasão, não existe espaço para a preocupação com a Coreia do Norte e tanto a Rússia como Pequim (duas grandes potencias) não devem concordar com as sanções adicionais à Coreia do Norte por parte do Conselho de Segurança da ONU.