Versailles: o Palácio da Humilhação em Política Externa
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Carlos Tavares faz uma análise à história do Palácio de Versailles e aos seus momentos históricos na política externa. O primeiro palácio foi construído em 1624, para albergar o rei Luís XIV durante as suas caçadas na floresta de Versailles. No reinado de Luís XIV, XV e XVI, passou por várias fases de remodelação e expansão. A famosa sala dos espelhos começou a ser construída em 1678 e terminada em 1684.
A revolução
francesa (1789) é o acontecimento de maior relevância na história francesa.
Foi a origem do colapso da monarquia absolutista em França e serviu de motivação
a outros países europeus para o colapso das suas monarquias absolutas e
constitucionais. A França tem um vasto
património com castelos e monumentos, mas destaca-se um, o Palácio de
Versailles e a sua sala dos espelhos, famosa por acontecimentos históricos em
política externa e humilhação. Vou dar relevância na análise, ao Tratado de
Frankfurt (1871), ao Tratado de Versailles (1919) e à recente reunião do
Conselho “Europeu”. O Tratado
de Frankfurt foi assinado a 10 de maio 1871, entre o Império Alemão e a Terceira
República Francesa, mas os acordos preliminares, foram assinados no Palácio
de Versailles a 26 de fevereiro de 1871, entre o representante do Império
Alemão Otto Von Bismark e o representante da Terceira República Francesa
Adolphe Thiers. A França foi humilhada e obrigada a assumir a derrota e a pagar
uma elevada indemnização ao Império Prussiano pelos danos causados na Guerra
Franco-Prussiana (1870-1871), perde grande parte do território das
províncias de Alsácia e Lorena que foram anexadas pelos alemães, mas a maior
humilhação foi a proclamação de
Guilherme I da Prússia a imperador da Alemanha na sala dos Espelhos do Palácio
de Versailles. Acontecimento que deu origem ao Revanchismo
francês, uma ideologia que visava a reconquista dos territórios perdidos na
guerra Franco-Prussiana, sendo também precursor da I Guerra Mundial. O
Tratado de Versailles (1919), após a I Guerra Mundial (1914-1918), pode ser
entendido como a vingança da humilhação sofrida pela França no acordo
preliminar do Tratado de Frankfurt. A Alemanha é humilhada, é obrigada a
assumir a derrota e a pagar uma indeminização de 269 mil milhões de marcos na sala
dos Espelhos do Palácio de Versailles á Tríplice Entente que foi uma aliança
entre a França, o Reino Unido e a Rússia. A Alemanha perde 13% do seu território, que foi distribuído pela
França, que recupera a Alsácia e Lorena, pela Bélgica, Dinamarca, Polónia e
Lituânia. Entra em hiperinflação, tudo o que produzia só dava para pagar a
indemnização, a pobreza começava a aumentar no seio do povo alemão, motivo que deu
origem ao nascimento do partido Nazi, antigo partido socialista dos trabalhadores
alemãs que começa a ganhar a confiança do povo alemão e ascende ao poder. O
Tratado de Versailles foi um dos maiores contributos para o início da II Guerra Mundial (1939-1945). No dia
10 e 11 de março, o Palácio de Versailles foi palco de mais um momento
histórico de política externa, a reunião informal de chefes de estado ou de
governo do Conselho “Europeu”, onde foi assinada, na sala dos Espelhos, a Declaração
de Versailles. O local da reunião pode ser entendido pela Rússia como uma
provocação, devido a ser um palácio e sala com história de tratados e acordos
de humilhação a estados e impérios. O fundamento da reunião foi a redução da
dependência energética da União Europeia (UE), a invasão da Rússia à Ucrânia e
o processo de adesão da Ucrânia como estado-membro. Na história de
Política Externa do Palácio de Versailles o resultado da humilhação nunca foi
positivo, antes pelo contrário, foi gerador de dois dos maiores conflitos da
história da humanidade, a I e a II Guerra Mundial. A humilhação fortalece o
orgulho do humilhado o levando a reconquistar o equilíbrio de poder. A não
ponderação nas declarações e ações de diplomacia dos líderes dos estados
ocidentais em política externa podem suscitar desconfiança e serem entendidas
como a expansão do Ocidente para Oriente, como também uma humilhação para
Rússia, se for aceite a exceção de adesão a estados-membros da UE, a Ucrânia, a
Moldávia e a Geórgia. Decisões essas que podem inflamar o conflito atual na
Ucrânia, em vez de o mitigar ou o findar e ao início da III Guerra Mundial que
pode decretar o fim da humanidade devido à utilização de armas de destruição
massiva e nucleares. Confúcio disse,
“Estuda o passado que sabes o futuro”, mas os líderes mundiais não aprenderam com os erros do passado, antes pelo contrário, devido à sua ganancia
e sede de poder, têm sido os causadores da destruição da humanidade com a sua
mentalidade do dogma de Albert Pike “O
povo pode e deve ser sacrificado em prol dos grandes interesses económicos e da
nação” e de Maquiavel “ O príncipe (na atualidade os governos) podem e
devem utilizar todos os meios lícitos e ilícitos para a manutenção do poder e o
controlo sobre o povo”. |

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