Turquia e União Europeia: Negociações sem fim
| https://www.document.no/2016/10/31/erdogan-vil-ha-dodsstraff/ |
Lara Rocha, expõe a relação de impasse entre a Turquia e a União Europeia.
A
relação da Turquia e da União Europeia está num impasse. Desde a associação do
país à Comunidade Económica Europeia em 1963 (Acordo de Ancara) e após em 1987
o pedido para adesão à UE que deteve uma longa ponderação, somente em 2005 é
que se deu início às negociações. O período de negociações não obteve grandes
evoluções e devido à instabilidade governamental do país, por consequência da
repressão governamental, seguida por uma tentativa de golpe de estado, deu-se o
encerramento das negociações em 2016, enquanto se mantivesse a repressão política
no país. Em 2017 foi reiterado o pedido de suspensão devido à represália dos
direitos humanos e em 2018 foi concluído pelo Conselho da UE a efetiva suspensão das negociações de adesão.
A
impossibilidade de “conduzir uma diplomacia eficaz ou formular uma estratégia geopolítica mais ampla” dificulta a adesão da Turquia à UE. Para solucionar este problema a UE confronta-se
com a opção de reformular o acordo de 1963 de forma a incentivar a cooperação
tendo como base as regras e fundamentos “normativos da relação”. Este acordo não se mostra preparado para
enfrentar os desafios do século XXI, não refletindo perspetivas credíveis para
adesão num futuro próximo visto que não cumpre os critérios de Copenhaga. A
adesão à União Europeia demonstra-se um verdadeiro desafio que tem imposto um
peso sobre a relação com a Turquia refletindo-se através do “retrocesso democrático de Ancara e à política externa cada vez mais conflituosa”. As preocupações com a democracia são um verdadeiro
impasse tendo em conta o Estado de Direito e a questão dos direitos humanos na
Turquia prova ser desafiante, não só para a relação entre ambos, mas também para
o “desejo da UE de se projetar como uma potência normativa global”. Um acordo
de associação modernizado com a Turquia permitia uma maior influencia
democrática da UE, e traria formas “mais realistas de cooperação e benefícios mais alcançáveis e tangíveis” tendo um grande potencial para a recuperação das
relações entre ambos. Por consequência seria
feito também a modernização da união aduaneira que para la de modernizar o
objetivo seria “reenquadrar as várias trilhas do relacionamento multifacetado sob uma estrutura baseada em regras”. As
tentativas de renegociar as regras e condicionalidades vigentes através das “agendas
positivas” propõem várias vantagens ao país, sendo a mais recente em 2020, como
tentativa de emendar a relação. No entanto uma modernização do acordo de
associação seria extremamente complexa, pois teria de deter vertentes ligadas à
ação climática, economia, gestão da migração regular, saúde global e comércio,
bem como enquadrar partes fulcrais do Acordo de Ancara, criando também possivelmente
“um mecanismo de solução de controvérsias políticas a ser adicionado em caso de novas tensões”.
Favoravelmente,
a economia turca poderia atrair investidores externos e gerar mais oportunidades. O índice populacional apesar de ser uma perspetiva
mais controversa também pode ser fatorizado como um argumento a favor para a
sua entrada pois atualmente tem cerca de 88 milhões de habitantes, o que para uma
europa que demonstra níveis de envelhecimento relativamente altos, a população jovem
turca é favorável para o mercado laboral. Finalmente a localização geográfica do
país detém uma importante vertente a sua proximidade com o Médio Oriente, sendo
importante em termos geoestratégicos e geopolíticos que traria benefícios para
a UE em adesão com a sua integração da OTAN sendo a sua força e grandiosidade
militar vantajosa.
Desfavoravelmente,
a Turquia sendo muito próximo do Médio Oriente partilha pouco do ideal europeu,
um grande entrave é a xenofobia religiosa. Em termos económicos relativos do
país, apesar de poder expandir o mercado europeu, a situação financeira do país
em si é instável procedente de várias crises devido à má gestão, um elevado
nível de corrupção demonstrando um sistema frágil e com pouca segurança. Em
termos demográficos, a crise migratória e o facto do assento político a caso de
a união se efetivar, a Turquia iria deter um número elevado de cadeiras no
Parlamento Europeu, o que reflete numa posição de grande poder. A prática democrática
e constitucional também é causadora de grandes incertezas para os países
europeus. A questão das liberdades e direitos das minorias, apesar de estar
estipulado na constituição turca o reconhecimento dos direitos para todos os indivíduos,
as mulheres e a comunidade LGBTQIA+ ainda são marginalizadas. Outra minoria no
entanto étnica são os curdos que representam a maior etnia sem pátria, tem
intenções de criar o seu próprio país ocupando terras turcas entre outras e o país
está a abrigar muitos curdos. Finalmente, a questão do Chipre e da somente reconhecida
pela Turquia, turca-cipriota onde são prestados apoios militares pelo país.