O que levou à invasão Russa do território Ucraniano e a resposta do Ocidente



Ilustração: BusinessDay

Ao longo deste artigo, Luana Vergas analisa as possíveis pretensões de Vladimir Putin em relação à Ucrânia. O que levou à invasão dos soldados russos no território ucraniano? Para isso, é feita uma contextualização histórica, seguida de uma tentativa de perceber as motivações da Rússia para a invasão do território Ucraniano e, por fim, algumas medidas tomadas pelos países ocidentais.


Primeiramente, para se perceber as ideias do presidente russo, Vladimir Putin, é oportuno fazer uma contextualização histórica relativamente ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

No século 17, grande parte do atual território da Ucrânia tornou-se parte do Império Russo, em 1917, transformou-se numa república, e mais tarde, em 1920, tornou-se parte da União Soviética. No entanto, com o fim da guerra fria e o colapso da União Soviética, em 1991, a Ucrânia conquistou a sua independência. Nas décadas seguintes, o país optou por se voltar para as influências ocidentais. Além disso, salientou as intenções de ingressar na União Europeia e na NATO, afastando-se progressivamente da influência política russa. 

Desde o fim da Guerra fria, que a NATO se tem expandido para o Leste, passando a incorporar não só países que fizeram parte do antigo Pacto de Varsóvia, a República Checa, Hungria e Polónia, como também países que fizeram parte da  União Soviética, a Lituânia, Estónia e Letónia. Apesar da Ucrânia não ser membro da NATO, tem um compromisso para uma possível adesão desde 2008. Alguns destes países têm territórios contíguos à Rússia, o que levou a que a Rússia considera-se a adesão destes países à NATO um perigo iminente às suas fronteiras. Putin afirma que a NATO pode se aproveitar desta aproximação com a Ucrânia para atacar Moscovo através do território ucraniano. Posto isto, desde o ano passado, o presidente russo tem posicionado o seu controlo militar em torno da Ucrânia, negando estar a planear uma invasão ao território Ucraniano, o que se veio a mostrar ser falso. Posto isto, Putin afirma que “Os riscos de segurança criados eram tais que era impossível reagir de outra forma”.

Não é possível saber com certeza qual o objetivo do presidente russo com esta invasão da Ucrânia, no entanto, tendo em conta os argumentos apresentados acima por Vladimir Putin, não havia outra maneira da Rússia se defender a não ser um ataque à Ucrânia.

Por outro lado, as declarações públicas de Putin sobre a Ucrânia sugerem que o seu objetivo pode ser acabar com a existência da Ucrânia enquanto Estado soberano, anexando-a à Rússia. Uma vez que Putin afirma que “A Ucrânia moderna foi inteiramente criada pela Rússia, mais precisamente pela Rússia bolchevique, comunista” e ainda acrescenta que “A Ucrânia não tem tradição de Governo próprio, foi construída através da negação de toda a memória histórica que une de milhões de pessoas”. O presidente russo demonstra não aceitar a existência da Ucrânia como um Estado independente e muito menos a sua integração na NATO.

As declarações públicas do presidente russo levam a querer que as suas razões para a invasão não são apenas motivadas por jogadas políticas, como obter benefícios através do acesso aos recursos do território ucraniano, mas também por convicções pessoais, um sentimento de orgulho nacional e revisionismo histórico. Desde o início da sua presidência que Vladimir Putin mostra interesse em restaurar a influência de Moscovo em todo o espaço pós-soviético, incluindo a Ucrânia.

A 24 de fevereiro deste ano, a Rússia invade a Ucrânia. A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, o que levou a que diversos países, sobretudo países liderados pelo governo dos Estados Unidos e pela União Europeia, anunciassem sanções internacionais contra a Rússia. O país também está a ser isolado por empresas privadas, associações e entidades de vários setores. Estas medidas têm como objetivo isolar a Rússia do mercado global, controlar de forma rigorosa a exportação e impactar diretamente o acesso do país à tecnologia de ponta. Visão enfraquecer a economia russa, como afirmou a Comissão Europeianum comunicado divulgado dia 15 de março, "Estas sanções vão contribuir para aumentar a pressão económica sobre o Kremlin e minar a sua capacidade de financiar a invasão da Ucrânia".

Apesar de haver envio de armamento para a Ucrânia, é pouco provável que o Ocidente se envolva num conflito armado físico, mas tudo indica que o conflito pode iniciar uma nova era de guerra cibernética. Por outro lado, há protestos e manifestações contra a invasão russa da Ucrânia por todo o mundo e diversos países abriram as suas portas para a vaga de refugiados ucranianosO povo ucraniano detém também o apoio de diversas ONG, organizações e iniciativas abertas a contribuições financeiras, como a iniciativa da Agência das Nações Unidas para os Refugiados e a CARE, uma organização sem fins lucrativos com sede em Genebra que também está a angariar dinheiro para kits de higiene, água e assistência em dinheiro.

Tudo isto veio evidenciar uma coordenação e um sentimento de união e entreajuda por parte do Ocidente. Putin não deve estar nada agradado com esta aproximação da Ucrânia aos países ocidentais. 

Luana Vergas, nº229318

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