A Invasão Russa poderá salvar a Ilha Formosa?
Nesta análise apresenta-se um paralelismo entre a invasão Russa do território Ucraniano e a invasão iminente que assombra Taiwan.
Século XV época dos descobrimentos, o início da
Globalização - No Oriente os Chineses de etnia Han chegam pela primeira vez à
Ilha que hoje intitulamos de Taiwan, na época batizada pelos Heróis do Mar como
Ilha Formosa, era paragem para comércio e transação de várias mercadorias, por
esse motivo, impérios emergentes como o Holandês e o Espanhol disputavam o seu
domínio. No ano de 1662 um guerreiro conhecido como Koxinga, após derrotado pela
dinastia Qing (que governava o território Continental Chines), fugiu em direção
à Formosa e acabou por conquistar a administração da ilha aos Holandeses. Após
algumas dezenas de anos o Imperador Chines invadiu a Ilha cessando a oposição iniciada por Koxinga, daí em diante o Imperador passou a controlar
grande parte da Ilha Formosa.
Chegados ao expansionismo Japonês - final do seculo XVIII, temos outra sequência de conquistas da pequena Ilha , após um largo período de domínio Nipónico, no ano de 1943 o General Chiang Kaishek (Líder da China Continental) reúne-se com o Presidente Franklin Roosevelt e Winston Churchill na conferencia do Cairo, que entre outras clausulas, as primordiais centraram-se na recondução ao domínio da China da ilha Formosa, o que se materializou no fim da Segunda Guerra com a rendição do Japão.
O partido nacionalista Kuomintang de Chiang Kaishek
passou então a dominar
tanto a República Chinesa como a Ilha Formosa. No ano de 1949 com guerra
civil e devido à vitoria pela mão de Mao-Tsé-Tung do Partido Comunista Chinês, Chiang Kaishek e os apoiantes
refugiaram-se na Ilha de Taiwan, inicialmente com o objetivo de se reorganizar
e tentar contra-atacar Mao, ainda que que apoiados nas prematuras aproximações com os EUA,
sob a máxima - “inimigo do meu inimigo meu amigo é", os membros do KMT nunca
foram capazes de reconquistar o território Continental da China. Em 1971 a República
Popular da China passou a ser diplomaticamente reconhecida pela ONU, já havia começado a ser uma ecónomia
emergente e bastante mais poderosa comparativamente a Taiwan e, portanto, tornou-se
a única representante da China nas Nações Unidas.
A pequena Ilha hoje, apesar de ter boas relações com
várias potencias do Ocidente, continua a não ser reconhecida internacionalmente
por praticamente nenhum destes países, sendo considerada pelo PCC como uma
província rebelde. Contudo, Taiwan é politicamente dirigida através de um governo democrático, semipresidencialista que tenta bravamente reivindicar a sua independência. Esta
pretensão de Taipei é ingénua, a questão de Taiwan e a sua reunificação com a
China Continental são tarefas históricas inabaláveis do Partido Comunista
Chinês.
A Ilha Formosa foi palco de diversas conquistas e reconquistas, e ao que parece estas trocas de domínio não têm fim à vista. Pequim mantém o seu objetivo de recuperar Taiwan, inclusive ponderando uma invasão militar para tal efeito, se não vejamos, Pequim em 2005 aprovou uma lei contra secessão, que prevê o direito a tomar medidas não pacificas se a ilha se tentar separar oficialmente da China Continental, frequentemente são realizadas atividades militares por parte do exército chinês próximas da Ilha, apesar de Taiwan ter forças militares avançadas e modernas, muito pela relação de proximidade com os EUA, a China tem uma força militar muito superior que facilmente conseguiria esmagar o contingente Taiwanês.
Segundo o jornalista Craig Addison a única estratégia que tem garantido a sobrevivência de Taipei neste conflito assimétrico é o que o autor chama de “Silicon Shield”, isto significa que a posição de Taiwan como principal produtor na fabricação de chips semicondutores sofisticados, o quarto produto mais comercializado do mundo, que é utilizado, entre outros processos de fabricação, em aviões e outros meios de transporte, equipamentos médicos, painéis solares e diversos equipamentos eletrónicos, esta competência atua como um dissuasor de uma intervenção militar Chinesa, isto porque o impacto de uma guerra teria como consequência inevitável a desaceleração ou ate mesmo a paragem desta industria, o que traria impactos extremamente negativos para própria China. Considerando os eventos recentes a Leste da Europa, encontramos outro possível motivo para a dissuasão de uma conquista de Taiwan pela força - a recente invasão Russa do território Ucraniano. Apesar de dividir opiniões no seio das analises de Geopolítica, onde alguns alegam que esta invasão pode ser o precedente que a China necessitava para tentar uma invasão militar e assim dominar a Ilha pela força, outros defendem que o apartheid, essencialmente económico, feito por diversos países como resposta à invasão Russa da Ucrânia, pode desencorajar Xi Jinping a clonar a estratégia de Vladimir Putin.
Qual a análise certa? - só
o tempo o dirá, mas a China tem um objetivo claro, tornar-se
na maior potencia mundial até 2050 , para que isso aconteça terá
obrigatoriamente de dominar o seu “quintal” estratégico, caso contrário não ostentará
capacidade moral para atingir voos maiores. De modo a tornar-se força dominante no raio de proximidade do seu território, ou de garantir no mínimo o seu espaço
vital, como os EUA, a China tem obrigatoriamente de conseguir
dominar uma pequena Ilha que fica apenas a 200 km de distância - esta é a única
certeza que temos!
Igor de Jesus | Lisboa, Março 2022

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